Teste – Renault Mégane RS – A Renault Sport sabe o que faz

O sucesso dos desportivos compactos de tração dianteira está na combinação entre versatilidade e performance, que permite atacar o nosso troço preferido ou levar os miúdos à escola e fazer as compras de caminho. O novo Mégane RS insere-se nesta categoria. Um automóvel capaz de andar depressa ou mais devagar, sempre com uma boa dose de conforto.
O conceito RS nasceu em 2003, em pleno Salão de Frankfurt, quando a segunda geração do Mégane recebeu tão impetuosa sigla que nos remete para a Renault Sport. Desenvolvido pelos engenheiros desta divisão desportiva da marca francesa, os modelos que ostentam tão afamada designação são minuciosamente trabalhados. Nesse ano, já lá vão 15, o Mégane RS debitava uns bem apelativos 225 CV e tinha um chassis em que o pivô independente da suspensão dianteira era a grande novidade.
Em 2018, a Renault volta a ir mais além com este Mégane IV na versão RS; disponível apenas na carroçaria de cinco portas, na medida em que o formato coupé foi definitivamente colocado de lado. O resultado? Uma bagageira que pode ser considerada realmente familiar, a versatilidade das cinco portas e um espaço interior amplo e suficiente para uma família de quatro pessoas. Ou seja, argumentos perfeitos para desfrutar do ócio em família ou sozinho, aos comandos deste “rei” francês que só não é mais discreto, porque o laranja da unidade ensaiada não deixa.
Novo 1.8 Turbo
Nesta geração o motor é totalmente novo. Assim, o Mégane RS abdicou dos préstimos do 2.0 Turbo para passar a contar com a leveza do novíssimo 1.8 Turbo MP5PT de 280 CV às 6.000 rpm (o mesmo do recém-lançado Alpine A110) e 390 Nm de binário disponíveis entre as 2.400 e as 4.800 rpm. Mas há mais. As vias são mais largas face ao modelo normal e o chassis Sport mantém a barra de torção no eixo dianteiro, abdicando também de uma suspensão adaptativa como muitos dos seus rivais. Contudo, o novo RS tem um grande trunfo dinâmico. É o primeiro a ser equipado com o sistema de quatro rodas direcionais 4Control e traz quatro batentes hidráulicos de compressão nos amortecedores, uma solução inspirada nos ralis.
A verdade é que, em condução normal do dia-a-dia surpreende pela suavidade com que desafia a estrada, mesmo com jantes de 19 polegadas, uma premissa que faz dele uma boa aposta até para adormecer as crianças. O topo da pirâmide Mégane está assim completo, deixando a sensação de estarmos perante um dos melhores automóveis de tração dianteira da atualidade. Mencionarmos o termo “Top 3” não parecerá um exagero…
O fôlego é infernal e o próprio som emitido pelas ponteiras de escape centrais (sim, são duas envolvidas por um trapézio) soa cada vez mais viciante. Mas, para atingir este patamar é preciso mudar o perfil do sistema Multisense para os modos Sport e Race (através de um pequeno botão colocado na consola central com a assinatura RS ou aceder ao comando Multisense, com o desenho de uma “flor”, atrás da alavanca da caixa) nos quais obtemos uma resposta eletrónica mais rápida da caixa, do motor, do som do escape e até da direção, sempre sem manchar o conforto, que continua em níveis muito aceitáveis para um familiar.
Música maestro
O construtor gaulês trabalhou bem o efeito sonoro e, tanto em aceleração como em desaceleração, o ruído é sedutor, provocando sempre um sorriso adicional e “figas” para que, em desaceleração, soe um ligeiro ráter. Cada reta parece imensa, porque tudo o que queremos são curvas. E a forma como o sistema 4Control assume a sua posição é simplesmente genial. Em modo Race, por exemplo, com as ajudas desligadas, o Mégane RS reage quando provocado. Totalmente permissivo, sempre que se esmaga o acelerador, chega-se à subviragem, e se se travar em apoio, é possível que o RS solte a traseira de forma muito controlada.
Para ajudar a festa, condutor e passageiro usufruem de bancos desportivos específicos dotados de excelente apoio ao nível dos ombros, lombar e das pernas. Tudo corre bem, a intuição geral é elevada e, não obstante os 280 CV, o RS tem excelente motricidade, sendo uma referência de condução desportiva. A caixa automática EDC de 6 velocidades também tem uma palavra a dizer e torna a condução fluída, todavia um pouco brusca naqueles arranques em que se pretende suavidade. Domar este “rei” não se assume como tarefa complicada e muito se agradece à direção que é direta e comunicativa, sem ser pesada e pouco apropriada às tarefas do dia-a-dia.
Em pleno ímpeto desportivo, os 20 litros de consumo podem ser uma realidade, mas no modo Comfort do Multisense e numa condução quotidiana sem grandes pressas não é difícil obter valores na casa dos 8,5 l/100 km, uma proeza que não está ao alcance de todos os desportivos com estas caraterísticas.
Em suma, se este for o preço a pagar para ter um dos compactos desportivos mais competentes e “acessíveis” da realidade, então… venha daí a calculadora e façamos as contas para ver se é possível conjugar a emoção com a realidade. Sem extras, custa uns competitivos 40.480 euros.
Texto Ricardo Carvalho
Fotos Paulo Calisto
CONCLUSÃO
Não há dúvidas, face ao antecessor as diferenças são muitas… e boas. Logo o facto de só estar disponível em carroçaria de cinco portas. Depois o conforto, esta nova geração é muito mais cómoda, mesmo em condução desportiva. Por fim, o motor, tanto na forma como acelera, como nas emoções que deixa transparecer para quem vai ao volante. No modo RS, o ruído do escape inebria os sentidos.
FICHA TÉCNICA
RENAULT MÉGANE RS ENERGY TCE 280 EDC
TIPO DE MOTOR Gasolina, 4 cilindros em linha, turbo
CILNDRADA 1.798 cm3
POTÊNCIA 288 CV às 6.000 rpm
BINÁRIO MÁXIMO 390 Nm entre as 2.400 e as 4.800 rpm
V. MÁXIMA 250 km/h
ACELERAÇÃO 5,8 s (0 a 100 km/h)
CONSUMO 7,0 l/100 km (misto)
EMISSÕES CO2 158 g/km
DIMENSÕES (C/L/A) 4.364 / 1.875 / 1.435 mm
PNEUS 235/40 R18
PESO 1.505 kg
BAGAGEIRA 384 l
PREÇO 40.480 €
GAMA DESDE 38.780 € (caixa manual)
I.CIRCULAÇÃO (IUC) 235,59 €
LANÇAMENTO Maio de 2018
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