ACAP prevê dois anos de crescimento ligeiro no mercado automóvel

ACAP prevê dois anos de crescimento ligeiro no mercado automóvel

O mercado automóvel em Portugal irá continuar a crescer ao longo de 2017, mas a subida será muito menos pronunciada em comparação com os últimos anos. Esta é a conclusão expressa pela Associação Automóvel de Portugal (ACAP), que na sua conferência de previsões do setor para o corrente ano, estima perspetivas positivas no que toca às vendas para os próximos dois anos, mesmo que exista um abrandamento da procura, já visível e 2016.

A ACAP estima um crescimento de dois por cento nas vendas de ligeiros de passageiros para 2017, prevendo-se que possa ser atingido o total de 211.000 unidades vendidas. Este valor deverá, de acordo com as previsões da ACAP, crescer novamente em 2018, chegando às 218.000 unidades, representando um novo crescimento de dois por cento em relação a 2017.

As vendas de comerciais ligeiros devem igualmente crescer de acordo com as previsões da ACAP, prevendo-se que possam chegar às 36.000 unidades em 2017, o que representa um crescimento de três por cento. As previsões para 2018 mantêm-se na mesma escala, ou seja, novo aumento de vendas em três por cento, perfazendo 37.000 unidades vendidas.

Vendas aumentam

No ano passado, foram vendidos 247.398 veículos automóveis em Portugal, representando um acréscimo de 15,8 por cento face a 2015, sendo que a quase totalidade destes veículos insere-se na categoria de ligeiros (242.220 unidades). Desses, 207.330 eram de passageiros – com um crescimento de 16,1 por cento face a 2015 – e 34.890 eram comerciais, representando um crescimento de 13,1 por cento face ao mesmo período homólogo.

Por segmento, os automóveis ligeiros de passageiros de classe B (inferior) lideram a tabela de vendas em 2016, com um total de 38 por cento das vendas efetuadas em Portugal, sendo seguido do segmento C (médio-inferior), com 32 por cento das vendas, classe D (médio-superior), com nove por cento, e da classe A (económico), com oito por cento. As classes G (SUV) e H (monovolumes) registaram vendas na ordem dos sete e três por cento, respetivamente, com nota para o crescimento dos modelos de estilo SUV.

O setor de comércio, manutenção e reparação de veículos automóveis e motociclos representa em Portugal um volume de negócios de 16,5 mil milhões de euros, abrangendo um tecido empresarial de 28.000 empresas e sendo responsável por 90.000 postos de trabalho diretos.

Por seu turno, a produção automóvel em Portugal registou um abrandamento de 8,6 por cento em 2016 quando comparado com 2015. Este crescimento negativo traduziu-se no menor número de viaturas produzidas (143.096) no ano passado, entre ligeiros de passageiros, comerciais ligeiros e pesados. Em 2016 foram produzidas 99.200 novas unidades de automóveis ligeiros de passageiros, o representa uma diminuição de 14,1 por cento face ao ano 2015.

Esta diminuição da produção deveu-se, sobretudo, à readaptação dos ciclos de produtos das fábricas de automóveis. Do total de viaturas produzidas pelas fábricas automóveis a operar em Portugal no ano passado, 95 por cento (136.369 unidades) destinou-se à exportação, sendo que apenas 5 por cento (6.727) se destinou ao mercado interno. Estes valores, integrando a área dos componentes automóveis, fazem com que o setor automóvel seja o maior exportador nacional.

O maior mercado destino da exportação automóvel continua a ser a Alemanha, absorvendo 23,1 por cento da produção nacional, seguida da Espanha (15,4%), Reino Unido (11,5%) e Áustria (6,5%). Os mercados asiáticos foram o destino de sete por cento das viaturas exportadas, com a China a receber a grande fatia de viaturas novas (5,5%).

A produção de veículos e componentes automóveis representa um volume de negócios de 7,2 mil milhões de euros, envolvendo um total de 440 empresas e garantindo 34.000 empregos diretos.

Motorizações a gasolina voltam a crescer

De assinalar ainda o ligeiro decréscimo de viaturas com motorizações a gasóleo vendidas em Portugal em 2016 face aos anos anteriores em que se registou uma tendência de dieselização das viaturas. Assim, em 2016, por tipo de combustível, 64 por cento das viaturas vendidas tinham motores a gasóleo (contra 68 por cento em 2015), 33 por cento a gasolina (contra 30 por cento em 2015) e 2,9 por cento outros tipos de combustível (contra 2,7 por cento em 2015).

Ainda dentro do mercado de novos, registe-se a continuação da tendência de aumento do número de automóveis ligeiros de passageiros importados usados. Em 2016, representavam já 28,3 por cento do total de veículos novos vendidos, sendo que, desde 2010 o aumento foi de 17,4 por cento.

Automóvel como ‘fonte’ para o Estado

O setor automóvel continua a ser um importante gerador de receitas fiscais para o Estado português, com um total de 22 por cento do total. A maior fatia do volume de receitas de 2016 teve origem no IVA de veículos, com um total de 3.446 mil milhões de euros. O ISP (Imposto Sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos) representou 3.259 mil milhões de euros, logo seguido do IVA dos combustíveis (1.246 mil milhões de euros) e do ISV (Imposto Sobre Veículos), que representou 672 mil milhões de euros em 2016.

As receitas fiscais do setor automóvel totalizam 9.271 mil milhões de euros, tornando-o num dos maiores contribuintes para as receitas fiscais do país, responsável por 21,6 por cento dos 43 mil milhões de euros das receitas estatais em 2016.

No encontro, o presidente da associação colocou a tónica da atividade associativa em 2017 no reforço da competitividade do sector automóvel de Portugal. Recorde-se que a ACAP esteve na génese da criação da Mobinov – associação do cluster automóvel – que envolve organizações dos setores e fileiras da cadeia de valor da indústria automóvel, nomeadamente da construção e dos componentes.

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