Teste – Nissan GT-R MY2018 – Ode ao número 23

A silhueta não engana. Robusto, musculado, vistoso e … gigante. O GT-R continua a ser um dos melhores desportivos do mundo e a grande arma da Nissan apontada ao segmento dos superdesportivos. Esta versão, Track Edition, é uma ode ao número 23, um amuleto para a marca japonesa no desporto automóvel e que significa, nada mais nada menos que… Ni (2) Ssan (3). É mais exclusivo que um Porsche e é uma obra de engenharia que justifica cada cêntimo.
Não é todos os dias que temos a oportunidade de nos sentarmos ao volante de um dos automóveis mais desejados do mercado, um carro que supera facilmente o meio milhar de cavalos e que consegue transmitir um “chorrilho” de emoções que não acaba, desde a estética até à condução. Se tudo isto não for suficiente, o GT-R conta com uma autêntica legião de fãs espalhada por todo o mundo. E o GT-R não é só o… GT-R. Já existe uma gama com várias opções de escolha e a versão que lhe trazemos este mês é precisamente aquela que foi desenvolvida para destroçar tempos em circuito e, aquilo que parece um sonho transforma-se facilmente em realidade a bordo desta Track Edition.
O GT-R dispensa apresentações. Todos os apaixonados pelo mundo automóvel sabem as suas caraterísticas e o que é capaz de fazer quando está nas mãos certas, principalmente a mais recente geração do modelo, a décima primeira da história da marca japonesa.
Número mágico
O “nosso” 23 cumpre com três premissas fundamentais: a beleza, o dinamismo e a emoção. Mas vamos por partes. Primeiro: esteticamente não deixa margem para dúvidas. É apelativo visto de qualquer ângulo. Quem sabe perde alguma da elegância dos superdesportivos das marcas italianas, mas ganha em efeito arrebatador. Segundo: é rápido, muito rápido. Lá à frente, debaixo do longo capô, dorme o VR38DETT, um motor V6 de 3.799 cm3 com dois turbos que debita 570 CV e 637 Nm de binário. Trata-se de um bloco muito especial, não só porque é fabricado à mão por um dos cinco peritos Takumi que se encarregam de manufaturar todos os propulsores do GT-R atual, mas também pela forma como entrega a potência ou pelo som que produz em combinação com a caixa automática de dupla embraiagem que traz de série. O valor de potência é colossal e o empurrão nas costas coloca-nos um sorriso nos lábios. É, de facto, brutal, constante, poderoso, como provam os 2,8 segundos anunciados na aceleração dos 0 aos 100 km/h.
Esta Track Edition tem algumas particularidades face ao GT-R “normal”, nomeadamente ao nível das suspensões, que neste caso são Bilstein com amortecedores controlados eletronicamente e reguláveis em várias posições. As jantes em liga leve, assinadas pela Rays, são de 20” e em alumínio forjado, e calçam uns Dunlop SP Sport Maxx GT 600 semi-slicks, que proporcionam maior aderência. Já o sistema de travagem foi melhorado para uma utilização intensiva em circuito e equipa pinças e discos idênticos ao do GT-R normal, mas com um sistema de refrigeração otimizado. Pode ter, em opção, vários detalhes em carbono, como a tampa da bagageira ou o aileron colocado por cima desta.
Para melhorar o seu rendimento em circuito, foi necessário renunciar a outros aspetos, principalmente ao nível do conforto. E, mesmo disponibilizando amortecedores Damp Tronic da Bilstein reguláveis em três níveis (Confort, Normal e R), o GT-R acaba por ser excessivamente duro e seco para uma utilização diária, mesmo na posição Confort. Sente-se cada imperfeição do asfalto, seja em bom ou mau piso.
Ao volante
A posição de condução é baixa e bem centrada. Os bancos V-Spec da Recaro oferecem uma ótima sustentação lateral. O tablier, que agora tem um desenho e materiais mais próximos daqueles que seriam lógicos para um automóvel com este nível de preço, é completo e pouco ou nada minimalista.
Uma pressão de segundos no botão “start” e o V6 desperta com uma aceleradela a dar o tom. A única caixa disponível é a dupla embraiagem de seis velocidades com duas patilhas fixas ao bem acabado volante de três raios. O GT-R respira “à antiga”, uma vez que é preciso pisar o acelerador firme para que a evolução do conta-quilómetros se inicie. À medida que a velocidade vai subindo, a resposta de todos os comandos começa a entusiasmar. É irresistível passar a caixa para modo manual, levar o motor para lá das 8.000 rpm e sentir o caráter vincado deste propulsor. Quando chega a primeira curva, já a quinta velocidade vai perto do red line: é altura para os travões específicos mostrarem o que valem. O curso do pedal parece longo e pouco se passa nos primeiros centímetros. É preciso levá-lo ao fundo. A afinação está mais adaptada para uso em pista do que em estrada. A frente é rápida e precisa, fácil de colocar, resistindo bem à subviragem. Nota-se alguma preocupação com a economia, com o GT-R a ser “dócil” na carteira quando se conduz de forma relaxada; a 130 km/h é possível rubricar consumos de 11,5 l/100 km.
No fundo, o que este Nissan propõe é uma mistura entre estilo, conceito, raridade e caráter, que o torna num produto que pretende ser… exclusivo. São 158.250 euros de carro. Pode ser um valor elevado para muitos, mas para quem pretende um automóvel singular, acaba por ser mais barato do que a maioria dos superdesportivos mais afamados.
Texto Ricardo Carvalho
Fotos Paulo Calisto
Conclusão
Os apêndices aerodinâmicos não enganam. Este não é um GT-R qualquer, mas também não é o todo-o-poderoso Nismo. Chama-se Track Edition e foi configurado para correr em pista com pneus específicos e vários detalhes em carbono. É um superdesportivo puro e duro, muito exclusivo que é proposto por um valor competitivo tendo em conta a concorrência. É difícil destacar um só detalhe, uma vez que funciona como um todo, quer seja para oferecer prazer de condução, quer seja para não deixar ninguém indiferente à sua passagem.
FICHA TÉCNICA
NISSAN GT-R TRACK EDITION 
TIPO DE MOTOR Gasolina, 6 cilindros em V, twin turbo
CILINDRADA 3.799 cm3
POTÊNCIA 570 CV às 6.800 rpm
BINÁRIO MÁXIMO 637 Nm às 5.800 rpm
V. MÁXIMA 315 km/h
ACELERAÇÃO 2,8 s (0 a 100 km/h)
CONSUMO 11,8 l/100 km (misto)
EMISSÕES CO2 275 g/km
DIMENSÕES 4.670 / 1.895 / 1.370 mm
PNEUS 255/40 ZRF20 (fre.)
285/35 ZRF20 (tras.)
PESO 1.745 kg
BAGAGEIRA 315 l
PREÇO 158.250 €
GAMA DESDE 140.210 €
I.CIUCULAÇÃO (IUC) 903,51 €
LANÇAMENTO Janeiro de 2018
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