Teste: Nissan GT-R 2017: 10 velas depois
O GT-R surgiu como o rival japonês do Porsche 911 Turbo. Volvidos 10 anos, atingiu a maturidade para se afirmar como um dos melhores superdesportivos do momento.
O GT-R nasceu como um derivativo desportivo da gama Skyline, muito conotado com os fenómenos de street racing e drifting – no Japão, EUA e até Reino Unido –, graças aos seus dotes mecânicos. Cumpre-se agora uma década que a Nissan fez renascer o GT-R, já não integrado na linhagem Skyline, mas como o ponta-de-lança da marca, representando o expoente máximo de performance e veia desportiva dentro do construtor nipónico. O seu V6 turbo de 3.8 litros debitava 480 CV, o que o colocava no patamar do Porsche 911 Turbo, mas por uma fração do preço. Desde então, o GT-R sofreu diversas evoluções de potência acompanhadas por retoques estéticos, até que chegou a vez de renovações mais profundas.
Assinatura Nissan
No exterior, as maiores diferenças dizem respeito à zona dianteira, que surge mais ‘bicuda’, com a grelha superior a incorporar o ‘V’, assinatura dos modelos Nissan, acompanhado de duas grelhas laterais ao alto, que incluem as luzes diurnas. De uma maneira geral, as restantes alterações são de pormenor, reportando-se a pequenas grelhas na secção traseira. No interior notamos mais evoluções, com tablier e consola central completamente redesenhados e com novos revestimentos, novas saídas de ventilação e uma simplificação geral, já que há menos comandos – mas passa a existir um rotor junto ao seletor da caixa para controlar o sistema de navegação. O novo volante monta as patilhas de comando da caixa, o que se traduz numa utilização mais intuitiva. Se as alterações são notórias, o ambiente está igual: desportivo, sofisticado, hi-tech e requintado, mérito do interior em Premium Red.
Porém, é sob o capô que estão albergadas as modificações mais interessantes do GT-R, nomeadamente na ignição e sobrealimentação, para apurar emissões e otimizar a resposta nos regimes acima das 3.200 rpm. Com isso, também a potência cresceu 20 CV face ao anterior modelo. Curiosamente, as prestações anunciadas mantêm-se inalteradas.
Domínio dos Petrol Head
O GT-R é o sonho de qualquer ‘petrol head’, que vê no desportivo nipónico a incarnação dos seus desejos mais irreverentes de velocidade pura e aceleração brutal. O GT-R é tudo isso e mais. O furor com que sobe de rotação resulta em acelerações balísticas e completamente desproporcionais em relação ao restante trânsito. A magnitude do V6 biturbo é de tal ordem que uma caixa de somente seis relações parece curta para as suas capacidades. Dá ideia de que com uma transmissão de sete ou oito velocidades ficaria um desportivo mais completo. Não obstante, mesmo a ritmos calmos, o omnipresente binário permite circular em sexta sem qualquer complexo, beneficiando as médias de consumo. Quando engrenada uma mudança mais alta, há um ligeiro turbo-lag se afundarmos o pé direito, mas é uma impressão de frações de segundo antes de sentirmos o efeito catapulta em direção ao horizonte. E o másculo rugido que acompanha cada aceleração apenas contribui para o espetáculo, para dentro e por fora… Por tudo isto, o GT-R é daquelas máquinas que nos presta uma determinada arrogância, o que não é uma coisa necessariamente negativa. Significa apenas que estamos a gozar em pleno a sua companhia e que partilhamos do seu poder… A caixa de dupla embraiagem foi revista para trocas mais suaves e menor ruído, mas isso não diminuiu o entusiasmo que provoca a cada desmultiplicação ou redução. É rápida e intuitiva, o feeling permanece rude e muito mecânico, e não a quereríamos de outra forma.
Apesar de ser um dos mais competentes desportivos da atualidade, o superdesportivo nipónico é um automóvel surpreendentemente confortável. Não no que respeita a espaço para quem viaja atrás – matéria em que precisa de uma séria revisão –, mas na filtragem de suspensão. No modo mais brando – regulável na consola central – é aveludado nos maus pisos. Já no modo mais firme é uma autêntica tábua, reservado para os momentos de maior adrenalina, a única forma de domar os mais de 1.800 kg movidos por 570 CV.
A verdadeira lapa
O GT-R curva como se caminhasse sobre carris. A precisão, a velocidade e a confiança com que descrevemos curvas rápidas ou mesmo de ângulo mais fechado é impressionante e num patamar bem acima de qualquer desportivo ‘comum’. E é preciso impor um estilo bastante agressivo para sentirmos o chassis a assanhar o asfalto à procura da melhor aderência. A frente é sempre acutilante na inscrição, sendo necessária uma dose generosa de acelerador para a transmissão passar eletronicamente mais força às rodas posteriores à procura de maior agilidade, pois no geral o GT-R é bastante neutro. Configurando a transmissão para maior potência atrás – no comutador do painel central –, o cenário muda para uma atitude mais sobreviradora, permitindo longas derivas. Contudo, é necessário haver espaço e coragem, pois as reações tornam-se bruscas e a velocidade de passagem em curva é bastante elevada…
Quem muito acelera melhor tem de travar, e no caso deste Nissan o sistema é possante e resistente à fadiga, graças ao quarteto de generosos discos ventilados (de 390 mm à frente e 380 mm atrás). Com o auxílio da caixa a cada redução – acompanhada de ponta-tacão automático – tudo se desenrola de forma fluida, permitindo circular de forma rápida e com souplesse.
Texto Bernardo Gonzalez
Fotos Paulo Calisto
CONCLUSÃO
É o superdesportivo com melhor ‘value for money’ do mercado, pois neste nível de preço ninguém oferece a mesma potência nem as mesmas sensações do Nissan GT-R.
NISSAN GT-R MY2017
TIPO DE MOTOR Gasolina, 6 cilindros em V, biturbo
CILINDRADA 3.799 cm3
POTÊNCIA 570 CV às 6.800 rpm
BIÁRIO MÁXIMO 637 Nm entre as 3.300 e as 5.800 rpm
VELOCIDADE MÁXIMA 315 km/h
ACeLERAÇÃO 2,8 s (0 a 100 km/h)
CONSUMO 11,8 l/100 km (misto)
EMISSÕES CO2 275 g/km
DIMENSÕES (C/L/A) 4.710 / 1.895 / 1.370 mm
PNEUS 255/40 R20 (fre.) 285/35 R20 (tras.)
PESO 1.827 kg
BAGAGEIRA 315 l
PREÇO 139.510 €
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