Teste – Mercedes-Benz Classe A180d – O carro que fala… e não só

Posicionado no topo do segmento C, o novo Classe A promete revolucionar o mercado com a aposta em pormenores que só estão presentes em modelos premium. A Carros & Motores propõe-lhe embarcar no melhor dos compactos do mercado e descobrir o carro que, além de outras coisas, fala. Primeiro ensaio completo à versão 180d.
Quando a terceira geração do Classe A pisou solo luso, em 2012, o impacto das suas linhas provocou muitas expressões de aprovação e outros tantos esgares de inveja, mas havia um denominador comum entre todos os observadores: a certeza de que era tão desejado quanto previsível. Pois bem, agora que a marca alemã lança a quarta geração, a segunda desta nova fase, este modelo diga-se a bem da verdade, possui estatuto próprio. O Classe A é… apaixonante. Se o anterior já tinha um físico torneado, este possui um corpo verdadeiramente escultural, sobretudo nesta versão equipada com kit AMG de aspeto ainda mais jovem e desportivo. Gostos não se discutem, mas esta conjugação de jantes mais escuras, com a cor clara da carroçaria e o interior pespontado a vermelho, ficam-lhe muito bem.
Centro das atenções 
O novo Mercedes assenta na plataforma do “velho” Classe A, a MFA2, mas não deixa de parecer um modelo totalmente diferente. As dimensões são semelhantes às do anterior: 4,41 m de comprimento (mais 120 mm), 1,79 m de largura (mais 6 mm) e 1,44 m de altura (menos 3 mm). Em suma, é mais comprido e largo, mas o que se destaca são os mais 30 mm de distância entre eixos. Com estas alterações, a bagageira também sai beneficiada com mais 29 litros, posicionando-se ao nível dos rivais. Agora conta com 370 litros, mas os farolins repartidos, permitem um maior bocal de acesso, criando uma área de arrumos mais aproveitável.
Em termos estéticos, a frente é mais afilada e a traseira mais alongada por causa dos farolins mais compridos. A nível mecânico, o motor, nesta versão 180d, é o 1.5 de origem Renault, que agora surge melhorado e debita 116 CV, mantendo, no entanto, os 260 Nm de binário. Neste caso, e porque ainda não há a opção de caixa manual, surge acoplado à transmissão automática de dupla embraiagem 7G-DCT de sete velocidades, também proveniente da marca francesa, que a Mercedes trabalhou à sua maneira de forma exaustiva.
Interior revolucionário
É no interior que surgem as grandes diferenças, especialmente se analisarmos o tablier e toda a zona dianteira. Longe da apreciação meramente subjetiva do design, o Classe A ganhou substancialmente em termos de qualidade. Alguns plásticos menos bons que no antecessor eram alvo de algumas críticas, aqui desaparecem por completo. Agora estamos perante um automóvel mais sólido e com uma imagem que coloca qualquer um dos seus concorrentes de regresso à era analógica. Os dois ecrãs de 10,25 polegadas (de série traz ecrãs de 7’’), que formam o conjunto painel de instrumentos/sistema multimédia, são planos, o que moderniza ainda mais o aspeto do tablier e propõe um estilo até agora desconhecido. A resolução e o brilho de ambos é excelente e o ecrã que serve o sistema multimédia é, pela primeira vez, tátil.
O volante foi herdado do Classe S e o comando “touch” da consola central redesenhado, perde a função rotativa. Este “touchpad” é fácil de utilizar e permite a escrita de texto tátil. Mas, o melhor de tudo é a estreia do MBUX, um sistema que permite literalmente falar com o carro. Basta um “olá Mercedes” para o ar, para que este pergunte o que desejamos. Podemos pedir-lhe para abrir a cortina do teto panorâmico, para saber como vai estar o tempo no dia seguinte ou ainda para baixar a temperatura dentro do habitáculo. Tudo percetível e de forma rápida.
Os bancos dianteiros com encosto de cabeça integrados são praticamente iguais aos do anterior A, têm ótimo aspeto, bom apoio lateral, mas um assento um pouco mais curto que o desejável. Já atrás, o banco continua a ser definido pela Mercedes como um 2+1. A visibilidade traseira melhora, mas os dois encostos de cabeça traseiros, também integrados, interferem no alcance de quem olha pelo retrovisor central.
Menos dinâmico, mais confortável
A dinâmica é outro domínio onde o novo Classe A também convence. No caso da versão em análise, o 180d, o motor turbodiesel de 1461 cm3 permite conjugar boas prestações com excelentes consumos. As modificações introduzidas no bloco e o trabalho de insonorização feito pela marca alemã tornam o ambiente a bordo silencioso e muito sereno. A caixa de dupla embraiagem faz bem o seu trabalho, mas continua a ser um pouco brusca nas manobras urbanas. Os modos de condução (Eco, Confort, Sport e Individual) são mais do que suficientes para imprimir bons ritmos de condução, ainda assim apresentam uma ou outra falha em situações muito específicas, como nas reduções em modo Sport, ou nos arranques em modo Eco. Mesmo assim, o Classe A, até com este pacote AMG com suspensão seletiva, é bastante confortável, sólido e amortece de forma perentória as “agruras” do asfalto.
Ao volante, o novo Mercedes tem uma condução fluída e com melhor distribuição do peso nas curvas em apoio. A carroçaria adorna um pouco mais, mas a acutilância é superior com movimentos assertivos, já que o comportamento está mais orientado no sentido da eficácia pura. O ESP não se desliga totalmente, mas também não é preciso, até porque este Classe A prefere ser conduzido com a tranquilidade que os 116 CV convidam. Todavia, é forçoso referir a precisão da direção (que podia ser menos filtrada), a facilidade com que a frente se inscreve em curva e a traseira a segue e a eficácia do sistema de travagem.
Pelo exposto, é fácil concluir que mais do que pela postura comercial, o novo Classe A tem tudo para ser um sucesso. Esta versão ensaiada não é barata. Custa 41.528 euros, um valor algo elevado para um carro com motor 1.5 turbodiesel.
Texto Ricardo Carvalho
Fotos Paulo Calisto
Conclusão
Tem a mesma base do anterior, por fora é parecido, mas por dentro o novo Classe A é um carro completamente novo, e está ao nível dos topo de gama. A qualidade de construção subiu tal como a solidez, mas o que mais sobressai é toda a vertente tecnológica e o conforto em detrimento de um comportamento dinâmico mais assertivo, ainda assim é divertido de conduzir, até com o motor 1.5 turbodiesel de 116 cv. Continua a ter um preço elevado, mas a tecnologia paga-se cara.
FICHA TÉCNICA
MERCEDES-BENZ CLASSE A 180D 
TIPO DE MOTOR Diesel, 4 cilindros em linha, turbo
CILINDRADA 1.461 cm3
POTÊNCIA 116 CV às 4.000 rpm
BINÁRIO MÁXIMO 260 Nm entre as 1.750 e as 2.500 rpm
V. MÁXIMA 202 km/h
ACELERAÇÃO 10,5 s (0 a 100 km/h)
CONSUMO 4,2 l/100 km (misto)
EMISSÕES CO2 111 g/km
DIMENSÕES4.419 / 1.796 / 1.440 mm
PNEUS 205/60 R16
PESO 1.445 kg
BAGAGEIRA 360 l
PREÇO 32.450 €
GAMA DESDE 32.450 €
I.CIRCULAÇÃO (IUC) 134,98 €
LANÇAMENTO Abril de 2018
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