Teste – Jeep Compass 1.6 Multijet II Limited – Rumo europeu

Tradicionalmente ligada aos modelos de grande robustez e versatilidade, a Jeep também vai a jogo no segmento dos SUV médios com um novo Compass, uma ‘bússola’ que dita um rumo europeu muito importante a seguir pela marca. O motor 1.6 Multijet II de 120 CV é disso um bom exemplo.
Marca que ‘vive’ unicamente de modelos de estilo SUV e todo-o-terreno, a Jeep coloca no novo Compass uma grande responsabilidade ao ter como objetivo primordial batalhar com propostas do segmento C-SUV como o Peugeot 3008 ou o Nissan Qashqai, apenas para mencionar dois dos mais famosos modelos da categoria. Mas, também, porque surge num momento em que este é o género de veículos mais em voga e rentável para a grande maioria das marcas. Sendo uma novidade em si, o Compass tem também o condão de ser o primeiro modelo da Jeep a ser comercializado em Portugal pela FCA, posicionando-se entre o bem-sucedido Renegade e o Cherokee.
É com este último que o Compass de segunda geração (que é totalmente novo, note-se) assume algumas semelhanças, embora aqui apareça num formato mais compacto para agradar aos gostos dos europeus. Destaca-se pela grelha dianteira que conjuga o tradicionalismo da identidade da marca com o modernismo dos cromados nas sete barras características. A linha do tejadilho descendente proporciona um visual mais desportivo em conjugação com a linha de cintura elevada na sua zona posterior. Não sendo revolucionário, o desenho exterior acaba por ser um ponto muito positivo deste novo modelo, que não renega à sua linhagem.
Elegância e robustez
No interior, que está bem construído na sua generalidade, existe uma noção de elegância com revestimentos de qualidade na parte superior do tablier (nesta versão bancos em pele e tecido), primando ainda pelos elevados padrões de robustez na construção do tablier e consola central. Apesar disso, os plásticos rijos também marcam presença, escondidos nas zonas inferiores do habitáculo.
Já em termos de configuração, na consola central existe uma hierarquização entre áreas funcionais: no topo, o sistema de infoentretenimento (neste caso, versão de topo U-Connect com ecrã tátil de 8.4 polegadas), é secundado pelos comandos dos sistemas do veículo (como os do áudio e de segurança, como o alerta de saída de faixa) e pelos da climatização em três grupos distintos. Falta, porém, um pouco de cor e irreverência a bordo que prolongue o mesmo arrojo do exterior e mais espaços de arrumação.
Espaçoso por dentro
Com 4,3 m de comprimento e 2,6 m de distância entre eixos, a habitabilidade merece nota muito positiva, já que todos os lugares são amplos e proporcionam muito conforto graças a bancos com bom suporte. Atrás, há bastante espaço para as pernas dos ocupantes (dos melhores na classe) e também a altura é generosa, apta para adultos com até 1,90 m. Mesmo a largura é apreciável, ainda que três adultos nos bancos traseiros viajem ‘aconchegados’, valendo pelo piso quase plano que não interfere em demasia com a colocação dos pés do passageiro do lugar central. A capacidade da bagageira de 438 litros está na média do segmento.
Motor voluntarioso
A versão que mais atenções irá atrair em Portugal será esta com o motor 1.6 MultiJet II de 120 CV e 320 Nm de binário (associada a tração dianteira), unidade que permite movimentar o Compass de forma decidida na grande maioria das situações. Com uma faixa de utilização preferencial situada entre as 1.500 rpm e as 3.500 rpm, é aí que deve ser explorado este turbodiesel, o qual oferece acelerações com fulgor e recuperações aceitáveis, atendendo a um escalonamento ‘largo’ da caixa manual de seis velocidades que ‘incita’ assim a um maior recurso à mesma para retomar o ritmo.
Com mais de 1.500 kg de peso e 120 CV, o Compass não é um velocista, mas como o motor é bastante competente, também não desaponta, acabando por mostrar bom serviço de forma geral, salvo quando se deixa cair em demasia as rotações. Um dos pontos melhoráveis é o da insonorização a bordo, já que o ruído do motor é audível para quem vai lá dentro, sobretudo a frio e em acelerações mais fortes. No que diz respeito a consumos, os 4,4 l/100 km anunciados pela Jeep parecem otimistas: no ensaio foi alcançada uma média de 6,1 l/100 km, valor que não deixa de ser positivo.
Seguro e robusto
A condução deste Jeep fica desde logo marcada pela posição ao volante elevada. E, se não é um velocista com este motor, também não é um ginasta em condução mais despachada. A direção tem assistência acertada, mesmo que não transmita muito ‘feedback’ ao condutor, mas é o rolamento pronunciado da carroçaria que desaconselha maiores excessos em curvas feitas mais depressa. Não obstante, em andamento vivo, garante neutralidade de reações e segurança nas trajetórias, respondendo bem aos ‘pedidos’ do condutor. Além disso, a suspensão faz um bom trabalho no amortecimento das irregularidades do piso, não sendo excessivamente branda (o que iria causar ainda mais rolamento da carroçaria), nem firme em demasia (embora se notem os desníveis mais acentuados do asfalto), para um pisar que acaba por ser sólido e equilibrado. Fora de estrada, sai-se bem essencialmente em pisos de pouca dificuldade técnica, até porque esta versão tem tração dianteira e há outras mais aptas para o efeito.
A versão Limited tem um preço algo elevado (34.500 €), mas compensa pelo equipamento recheado, ‘sobrando’ poucos opcionais para incluir. Note-se, ainda que o Compass é mais uma ‘vítima’ do cada vez mais desatualizado esquema de portagens nacionais, merecendo Classe 1 apenas quando associado à Via Verde. Este mesmo motor em nível mais simples de equipamento (Sport) está disponível por 29.500 €.
Conclusão
Este Compass é um forte passo em frente e uma alternativa bem concebida para o seu segmento, aliando a tradicional robustez da marca a design elegante, qualidade melhorada a todos os níveis e motor enérgico. Tem alguns aspetos a melhorar, mas, em suma, mostra o rumo certo ditado pela bússula SUV.
Texto: Miguel Silva
Fotos: Paulo Calisto
FICHA TÉCNICA
JEEP COMPASS 1.6 MULTIJET II LIMITED
TIPO DE MOTOR Diesel, 4 cilindros em linha, turbo
CILINDRADA 1.598 cm3
POTÊNCIA 120 CV às 3.750 rpm
BINÁRIO MÁXIMO 320 Nm às 1.750 rpm
V. MÁXIMA 188 km/h
ACELERAÇÃO 10,7 s (0 a 100 km/h)
CONSUMO 4,4 l/100 km (misto)
EMISSÕES CO2 117 g/km
DIMENSÕES (C/L/A) 4.394 / 1.819 / 1.635 mm
PNEUS 225/55 R18
PESO 1.519 kg
BAGAGEIRA 438 L
PREÇO 34.500 €
LANÇAMENTO Outubro de 2017
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