Teste: HYUNDAI IONIQ HÍBRIDO PLUG-IN – Terceiro elemento

O Ioniq híbrido plug-in junta-se às versões híbrida e elétrica na gama do compacto coreano. Autonomia de 50 km em modo totalmente elétrico e um equipamento de série bastante completo são os cartões-de-visita.

Depois de um período disponível apenas na versão híbrida “normal”, o Ioniq vê agora cumprida a promessa inicial da Hyundai, aquando do seu lançamento, da criação de uma gama composta por três versões: Hibrido, Hibrido Plug-in (recarregável) e Elétrico. Um trio que, como seria de esperar, tem como porta-estandarte a eficiência energética e abre portas ao futuro, tanto da marca como do próprio setor automóvel. Na prática, estamos perante a mesma carroçaria, mas proposta com três formas de locomoção distintas. O denominador comum? A tecnologia elétrica.

Neste teste, apresentamos-lhe aquele que, provavelmente, se assume como a solução mais equilibrada e consensual da gama, o Ioniq hibrido plug-in. Porquê? Porque permite o carregamento da bateria que alimenta o motor elétrico em qualquer tomada doméstica, possibilitando que, caso o utilizador deseje, possa circular sempre em modo totalmente elétrico durante cerca de 50 quilómetros; um número mais do que suficiente para preencher as rotinas diárias de casa/trabalho/casa da maioria dos condutores portugueses. Caso não queira carregar a bateria, entra em ação o motor a gasolina como num qualquer carro normal. No fundo, nunca fica parado…

Consumos exemplares

Para dar alma ao Ioniq Plug-in, a Hyundai adota um motor a gasolina de 1.6 litros atmosférico com 105 CV associado a unidade elétrica de 61 CV, alimentada por uma bateria de polímero de iões de lítio de 8,9 kWh, cujo carregamento pode demorar entre 2,15 (wallbox) e 4 horas (tomada doméstica). Tempos de carregamento relativamente rápidos para o que é habitual, sem dúvida, explicados pela baixa capacidade da bateria que impede também que o carregamento seja feito num posto de carregamento rápido, o que é pena.

Regressando aos motores, a potência combinada é de 141 CV, sendo gerida por uma eficiente caixa automática de dupla embraiagem de seis velocidades (dois modos de funcionamento: Eco e Sport), responsável por uma condução muito próxima de uma berlina convencional. Não sendo um foguete, como prova a velocidade máxima de 178 km/h, o Plug-in apela a uma condução mais clama e descontraída em prol de um excelente consumo médio anunciado de 1,1 litros por cada 100 quilómetros; durante o nosso teste obtivemos valores na casa dos 5 litros numa utilização mista (gasolina/elétrico). Ainda assim, a velocidade de cruzeiro é alcançada e mantida sem qualquer constrangimento, mesmo nas situações de lotação completa e respetiva bagagem.

Já no que concerne ao comportamento, o trabalho do chassis e das suspensões resulta, não só, num desempenho seguro, com trajetórias bem delineadas e as oscilações da carroçaria facilmente corrigidas com um pequeno trabalho de mãos, como o faz com níveis de conforto muito interessantes.

Diferenças de pormenor

Num segmento onde habitualmente não é fácil passar despercebido, devido a uma conceção de linhas nem sempre muito consensual, o Ioniq Plug-in tem o condão de ser relativamente discreto. A carroçaria de 4,47 metros apresenta uma imagem moderna e não fossem as exclusivas jantes de liga leve de 16 polegadas, desenhadas para reduzir a resistência ao vento, a entrada de ar ativa na grelha dianteira (com três estágios) e a tomada de carga elétrica sobre a roda dianteira esquerda, o modelo coreano passava perfeitamente como um tradicional veículo compacto.

Um cenário que se estende ao interior, simples, mas bem construído, com um desenho inspirado nos mais recentes lançamentos da marca. É claro que há diferenças para estes, nomeadamente ao nível do painel de instrumentos e do ecrã tátil a cores na consola central, onde temos acesso a todas informações sobre o sistema Plug-in: fluxo de energia, carga da bateria, tipo de condução, consumos, autonomia, etc.

De igual forma, a habitabilidade surge em bom plano, havendo apenas a lamentar a menor altura atrás, devido à excessiva linha descendente do tejadilho (aerodinâmica a quanto obrigas!), enquanto a capacidade da bagageira cifra-se nuns limitados 341 litros (443 na versão hibrida normal), fruto da colocação das baterias sob o piso.

Com um preço de 39.500 euros, este Ioniq Plug-in não é propriamente barato, mesmo tendo em consideração o generoso equipamento de série. Ainda assim, tem a vantagem de, nos dias que correm, ser uma solução bem mais funcional que os modelos 100% elétricos. De referir, ainda, que o Ioniq usufrui da garantia geral de 5 anos sem limite de quilómetros da Hyundai, a que se junta uma segunda garantia para a bateria de alta voltagem de 8 anos ou 200 mil km.

Conclusão

Com a possibilidade de circular apenas em modo elétrico e o facto de não haver uma obrigação de carregar a bateria sempre que esta fica sem energia, faz com que este Ioniq Plug-in seja uma espécie de melhor de dois mundos, tornando-se uma alternativa muito séria tanto aos seus irmãos de gama como aos tradicionais modelos a gasóleo.

Texto: Miguel Rodrigues

Fotos: Paulo Calisto

FICHA TÉCNICA

HYUNDAI IONIQ HÍBRIDO PLUG-IN

TIPO DE MOTOR                                Gasolina, 4 cilindros em linha, atmosférico

CILINDRADA                                       1.580 cm3

MOTOR ELÉTRICO                            Síncrono magnético permanente

POTÊNCIA (gasolina)                         105 CV às 5.700 rpm

POTÊNCIA (elétrico)                           61 CV

POTÊNCIA TOTAL                              141 CV

BINÁRIO MÁXIMO (gasolina)           147 Nm às 4.000 rpm

BINÁRIO (elétrico)                             170 Nm

BINÁRIO TOTAL                                265 Nm

VELOCIDADE MÁXIMA                    178 km/h

ACELERAÇÃO                                     10,6 s (0 a 100 km/h)

CONSUMO                                         1,1 l/100 km (misto)

EMISSÕES CO2                                 32 g/km

DIMENSÕES (C/L/A)                       4.470 / 1.820 / 1.450 mm

PNEUS                                                 205/55 R16

PESO                                                   1.505 kg

BAGAGEIRA                                       341 l

PREÇO                                                39.500 €

LANÇAMENTO                                 Setembro de 2017

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