Teste: FORD KA+ 1.2 TI-VCT 85 CV ULTIMATE – Evolução certeira
O sinal ‘mais’ junto ao nome Ka é sinónimo das aspirações positivas da Ford para o seu novo citadino: mais prático, mais eficiente e mais tecnológico; o Ka+ assinala o regresso em força da marca ao segmento A. Ágil na cidade e mais adulto, estará este modelo à altura da concorrência?
Apostando seriamente no ultra-povoado segmento dos citadinos, a Ford reformulou por completo o pequeno Ka, percebendo que a fórmula do anterior modelo não poderia voltar a ser replicada no presente. Assim, o novo Ka+ segue um caminho distinto a todos os níveis, amadurecendo em diversas áreas e mostrando até interessante aproximação ao Fiesta no seu conceito. Tudo isso com um preço de ‘combate’.
O aumento generalizado das dimensões deixa-o mais perto de um segmento B, sendo evidente a mudança no estilo: abandonou-se a filosofia de três portas do anterior modelo (plataforma do Fiat 500) em favor de uma maior e mais funcional carroçaria de cinco portas, construída na nova plataforma global para veículos pequenos da Ford. Enfim, uma imagem mais ‘adulta’ numa evidência de que foram compreendidas as exigências atuais do segmento. Perde-se em estilo, ganha-se em funcionalidade.
Surpresa de espaço
Sem chegar aos quatro metros (3.929 mm) de comprimento e com 2.489 mm de distância entre eixos, o formato compacto do Ka+ esconde um habitáculo verdadeiramente folgado, sobressaindo entre os cânones do segmento. Ao nível dos lugares posteriores, é dos que mais espaço oferece, tanto para as pernas, como em altura para o tronco, possibilitando viagens sem problemas para adultos de maior estatura. Também a largura permite acomodar realisticamente um terceiro passageiro atrás. A bagageira dispõe de valiosos 270 litros, sendo também uma boa surpresa. Nota, ainda, para os muitos espaços de arrumação no interior. Na avaliação da habitabilidade e funcionalidade, o mais pequeno dos Ford acaba por ser modelo muito completo, sendo este um dos aspetos em que mais evoluiu, até porque no anterior Ka só iam quatro.
Outro ponto melhorado foi o da qualidade do habitáculo, com o Ka+ a seguir os mesmos preceitos dos outros modelos da marca para um visual robusto e, se pouco irreverente, de sensação muito duradoura (até com elemento em preto brilhante na consola central). Como é usual no segmento, dominam os plásticos (custos e peso obrigam), mas, ainda assim, oferecem uma boa sensação de qualidade.
Crescido na condução
Na condução, sobressai pela combinação entre dinâmica e conforto, resultante de boa afinação do conjunto de suspensões (McPherson à frente, eixo de torção atrás) e da rigidez geral. A neutralidade em curva é ponto muito positivo deste citadino, mostrando segurança, agilidade e rolamento contido da carroçaria, além de estabilidade reforçada em autoestrada. A direção, com boa assistência, contribui para uma prestação dinâmica digna de registo.
Por outro lado, no local onde vai passar a maior parte do tempo, ou seja, na cidade, destaca-se pela forma muito eficaz como absorve a grande maioria das irregularidades do piso, mesmo no caso de asfalto mais ‘estragado’ ou de empedrado. Atributos muito positivos de um modelo fácil de utilizar na grande urbe (para o que contribui a boa posição de condução), mas que também dá cartas em percursos extra-urbanos. Afinal de contas, aquilo que se pede num citadino ‘polido’ no conjunto das suas vertentes.
Motor cumpridor
Evolução da unidade de 1.25 litros do Fiesta, o novo motor atmosférico de 1.2 litros que se encontra no Ka+ debita 85 CV e 112 Nm de binário, sendo no trânsito urbano que está mais à vontade. Tal fica comprovado pelos arranques rápidos e andamento folgado, mostrando energia suficiente para responder à vasta maioria das solicitações da malha urbana. Fora dela, contudo, percebem-se maiores e naturais dificuldades, sobretudo nas recuperações, obrigando assim a recurso frequente à caixa de cinco velocidades, a qual tem bom manuseamento.
Boa nota é também alcançada no capítulo dos consumos, com uma média de ensaio de 6,1 l/100 km, valor que não deixa de ser interessante para o segmento, mas que poderia ser melhor se houvesse sistema de paragem e arranque automáticos do motor.
Face a alguns rivais, o Ka+ peca por não apostar nas ‘mil e uma’ personalizações, argumento brandido por muitas marcas para ‘venderem’ os seus modelos. Contudo, a Ford contrapõe com conjunto recheado de equipamento (ar condicionado, retrovisores elétricos, hill-holder e sistema Ford SYNC de série) para um custo ‘pequenino’ de 11.912 euros na versão de 85 CV de base (também há uma mais acessível de 70 CV). Mesmo os opcionais não são dispendiosos. Na equação acertada da relação custo/benefício, o novo Ka+ ganha ainda um maior apelo por via dos 750 € de desconto diretos da Ford, a que acresce um outro desconto de 1.050 € apenas no caso de financiamento da marca…
Conclusão
O novo Ka+ é uma evolução significativa face ao modelo anterior, valendo-se de habitabilidade superior, versatilidade acrescida, comportamento certinho e economia para se destacar no segmento. Muito à vontade na cidade e cumpridor fora dela, a aproximação ao Fiesta – no conceito e em qualidade – assenta-lhe que nem uma luva, mostrando competência geral e, muito importante, um preço deveras apelativo.
Texto Miguel Silva
Fotos Paulo Calisto
FICHA TÉCNICA
FORD KA+ 1.2 Ti-VCT 85 CV ULTIMATE
TIPO DE MOTOR Gasolina, quatro cilindros em linha, atmosférico
CLINDRADA 1.196 cm3
POTÊNCIA 85 CV às 6.300 rpm
BINÁRIO MÁXIMO 112 Nm às 4.000 rpm
VELOCIDADE MÁXIMA 169 km/h
ACELERAÇÃO 13,3 s (0 aos 100 km/h)
CONSUMO 5,0 l/100 km (misto)
EMICCÕES CO2 114 g/km
DIMENSÕES (C/L/A) 3.929 / 1.695 / 1.524 mm
PNEUS 195/55 R15
PESO 1.055 kg
BAGAGEIRA 270 l
PREÇO 11.912 €
LANÇAMENTO Outubro de 2016
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