Ensaio Volkswagen Golf 1.6 TDI: Ópio do povo

Ensaio Volkswagen Golf 1.6 TDI: Ópio do povo

Este Golf Variant concentra desde logo três atributos apelativos para o mercado português: trata-se de uma carrinha, tem motor Diesel de última geração e é simplesmente… um Golf!

Apesar de já ser um quarentão, o Golf continua a ser objeto de cobiça. Já na sétima geração – agora renovada em termos estéticos e tecnológicos – o seu segredo está na homogeneidade que continua a exibir entre dinâmica, espaço, conforto, fiabilidade e equipamento, sem esquecer a imagem. É que ter um Golf diz algo sobre o seu proprietário: que gosta de valores seguros. E se os automóveis germânicos são aqueles que detêm melhor imagem há várias décadas, então o Golf está no topo dessa lista.

Ambiente sólido

Entrar no habitáculo de um Golf continua a ser uma experiência reconfortante. A solidez dos painéis e bancos, 0 ambiente clean e a estética sóbria (sem ser aborrecida) são fatores que contribuem para essa envolvência, ao que se junta agora uma consola central em preto brilhante que acrescenta um toque hi-tech, um dos pontos mais diferenciadores neste restyling. O sistema de áudio e navegação Discover Media é de série nesta versão Confortline, oferecendo um ecrã de 8 polegadas com um conjunto de funções avançadas, leitor de CD e portas AUX-IN e USB.

Graças ao software MirrorLink e ao opcional App Connect (185 €), que integra Google Android Auto e Apple CarPlay, é possível navegar pelos menus como faríamos no nosso próprio smartphone.

O enriquecimento geral do equipamento foi um dos aspetos mais marcantes desta atualização do Golf, além do referido sistema de infotainment. No âmbito da segurança, 0 Cruise Control Adaptativo que inclui Front Assist, com assistente de travagem de emergência em cidade e sistema de deteção de peões é de série nesta versão -, assim como os faróis de nevoeiro com luz de curva e o dispositivo de parqueamento Park Pilot. Já os faróis dianteiros em LED são extra (779 €), assim como a câmara de estacionamento e os vidros traseiros escurecidos (284€), valores que não consideramos exagerados.

TDI: Outro valor seguro

A partir desta renovação, o Golf passa a contar com o 1.6 TDI de 115 CV, mais cinco do que anteriormente. Se notámos grande diferença? Nem por isso. Mas continua a ser um dos mais equilibrados motores da sua classe, com um desempenho agradável e consumos controlados. A resposta é firme, sobretudo quando solicitado em carga total, com a força a surgir logo a baixo regime – ao contrário do que acontecia com as primeiras encarnações do 1.6 TDI -, o que facilita a exploração das suas capacidades em condução citadina.

O binário máximo de 250 Nm, entre as 1.500 e as 3.200 rpm, permite prestações adequadas para um modelo familiar (sem serem propriamente desportivas), principalmente se considerarmos que quem procura o Golf Variant tem em mente a utilização plena do espaço que proporciona – 605 litros de bagageira, 1.620 litros com os bancos traseiros rebatidos – e o peso extra que isso pode representar.

O casamento com a caixa automática de dupla embraiagem DSG de 7 velocidades torna a condução ainda mais cómoda, sobretudo para quem tem uma postura descontraída, pois é decidida mas suave, parecendo escolher sempre a relação certa para cada momento.

Com isso ganha-se também nas médias de consumo, complementado pelas constantes dicas que surgem no painel de instrumentos para tornar a condução ainda mais eficiente, como fechar os vidros ou deixar o seletor em Drive em vez de Sport. Neste particular, quem procura explorar a fundo as capacidades dos 115 CV por norma opta pelo modo manual/sequencial. Os ganhos obtidos são marginais, mas sentimos maior controlo, nomeadamente nas reduções, e, desde que as aspirações não sejam demasiado desportivas, este binómio 1.6 TDl/ DSG satisfaz.

Os consumos estão igualmente entre os melhores atributos deste TDi. Ainda que os 4,0 l/100 km oficiais sejam algo otimistas, numa utilização real, variada no ritmo e no tipo de percurso, com mais ou menos passageiros a bordo, é expectável obter médias abaixo dos 6,5 litros.

Dinâmico, como sempre

O chassis foi uma área em que os técnicos da VW pouco alteraram. Parece que imperou o princípio de ‘em equipa que ganha não se mexe’, pois o Golf já estava num patamar elevado de eficácia dinâmica. Consegue conciliar conforto com um toque desportivo, graças a uma afinação de suspensão mais firme. Esta maior consistência em apoio, combinada com uma direção cremosa e de bom tato, proporciona um feeling mais preciso e maior prazer de condução, nomeadamente em percursos sinuosos.

Com um sistema de travagem que acompanha as capacidades do chassis, o Golf Variant incute confiança, acima de tudo pela estabilidade e previsibilidade de reações, mesmo quando tem lotação esgotada e a bagageira recheada.

Conclusão

O Golf Variant continua cativante na dinâmica e no conforto, mesmo nesta versão 1.6 TDI de 115 CV. A renovação estética e tecnológica apenas vem reforçar argumentos. O preço está na média do segmento, mas segura melhor o seu valor no mercado.

Texto: Bernardo Gonzalez

Fotos: Paulo Calisto

FICHA TÉCNICA

TIPO DE MOTOR Diesel, 4 cilindros em linha, turbo
CILINDRADA 1.598 cm3
POTÊNCIA 115 CV entre as 3.250 e as 4.000 rpm
BINÁRIO 250 Nm entre as 1.500 e as 3.200 rpm
V. MAXIMA 200 km/h
ACELERAÇÃO 10,7 s (0-100 km/h)
CONSUMO 4,0 l/100 km (misto)
EMISSÕES CO2 103 g/km
DIMENSÓES (CLA) 4.586/1.799/1.515
PNEUS 205/55 R16
PESO 1.395 kg
BAGAGEIRA 605 l
PREÇO 32.150€
LANÇAMENTO Abril 2017

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